Dienstag, 18. Dezember 2012

Olho sem tato, tato sem vista, ouvido sem mãos ou olhos, olfato sem nada.

HAMLET - Olhai! Contemplai! Aqui este quadro e depois este outro[...] Reparei que graça existe neste rosto; os cachos de Hipérion, a fronte do próprio Júpiter, olhos semelhantes aos de Marte, cheios de ameaças e comando; um porte como o do arauto Mercúrio, quando pousa no cimo de uma montanha que beija o ceu; um conjunto de perfeições, certamente, onde cada dos deuses colocou seu selo, para dar ao mundo um homem. Este homem era vosso marido.

Vede agora o que se segue. Eis a quem cedestes, qual espiga definhada que contamina a imagem de quem antes te acompanhava.
Tendes olhos? Como pudestes deixar de escapar desta bela colina para irdes cevar-vos nesse pántano?

Ah! Tendes olhos? Como me digáis que isto se chama amor[...]

E que prudencia desceria deste para esse outro? (Aponta os retratos). Sem dúvida tendes algum sentimento, pois se não fosse a afeição vós faltaria; mas, de certo esse sentido está em vós paralizado, pois nem a própria loucura cometeria tal erro, nunca o bom senso se escravizou ao delírio até um extremo que não conservasse suficiente discernimento para apreciar tal distinção.

Qual foi o demônio que vos enganou neste jogo de cabra cega? Olho sem tato, tato sem vista, ouvido sem mãos ou olhos, olfato sem nada, a mais insignicante parte de um unico e são sentido teria bastado para impedir a semelhante estupides.

Oh! Vergonha! Onde está seu rubor?

Se tu, inferno rebelde, podesse amontinarte nossos ossos de uma matrona, deixa então que para a ardente juventude seja a castidade como a cera em seu próprio fogo derreta. Não é vergonha ceder ao assalto do imperioso ardor, visto que seu próprio gelo se aquece tão vivamente, e a razão trafica com a carne.

Hamlet, William Shakespeare





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