Freitag, 4. Januar 2013

Into the wild


"Uma serenidade maravilhosa apoderou-se de todo o meu ser, semelhante às doces manhãs de primavera que venho saboreando intensamente. Estou sozinho, e felicito-me por viver neste lugar, feito para as almas como a minha. Sinto-me tão feliz, meu caro amigo, ando tão inteiramente absorto no sentimento de uma existência tranqüila, que minha arte sofre com isso. Seria incapaz de desenhar agora um simples traço a lápis e, apesar disso, nunca fui tão excelente pintor. Quando o vale gracioso exala em torno de mim uma névoa repleta de fragrâncias, o sol do meio-dia repousa no obscuro inviolável da floresta, e somente alguns raios esparsos penetram o interior do santuário; quando, estendido sobre a relva espessa, perto do rio que flui, descubro rente à terra mil variedades de plantinhas; quando sinto, mais próximo de meu coração, o fervilhar desse pequeno mundo entre os arbustos, as figuras inúmeras, infinitas, dos vermes e dos insetos; [...]. Meu amigo, se o dia começa a raiar à minha volta, se o mundo que me cerca e o céu inteiro descansam no meu peito como a imagem de uma bem-amada [...]. Ah, meu amigo... Mas me sufoco, esmoreço diante da magnitude dessas visões".

Goethe, "Os Sofrimentos do Jovem Werther", p.14. (depois completo a referência)





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