O sexo masculino da nossa espécie é um dos dramas sociais mais bonitos desta terra. Há uma divisa entre quem somos e quem querem que sejamos. Entre a sensibilidade e a virilidade. O limite entre o choro e a dureza, a força e a rejeição, a necessidade e a fraqueza, a solidão e a loucura, a gentileza e a violência, os hormônios e a razão, a calma e o desespero, o sangue e a paz. O passional e o entendimento. É uma aventura de uma vida inteira, em que cada esquina é uma lição. Precisamos o tempo inteiro frear em uma direção ou em outra. Não há frieza, mas um corpo nos jogando pra cima e pra baixo, de um extremo ao outro, a cada passo e cada olhar. Há uma combustão em cada escolha, uma loucura, cavalos de insanidade. Precisamos sofrer e nos conter, querer e recusar, odiar e ser gentis. Andar o dia inteiro em uma corda bamba.
Dédalos disse: Filho, nem tanto ao Sol nem tanto ao mar.

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