Dienstag, 13. Juni 2017

- Peço-lhe - continuou ela -, é absolutamente necessário; peço-lhe pelo meu sossego: isso não pode durar assim; não, isso não se pode...

Ele esgazeou os olhos e caminhou pela sala, murmurando entre dentes: "Isso não pode durar assim!" Carlota, sentindo em que estado de espírito Ele repetia essas palavras, esforçou-se em mudar o curso dos seus pensamentos, mas em vão.

- Não, Carlota! - exclamou Werther. - Nunca mais a verei!

- Por que, Werther? - replicou ela. - Você pode, você deve tornar a ver-nos; somente, precisa conter-se. Oh! por que nasceu você com esse ardor apaixonado que se prende obstinadamente a tudo quanto o impressiona!... Peço-lhe - prosseguiu ela, tomando-lhe a mão -, seja senhor de si! O seu espírito, os seus conhecimentos, os seus talentos não lhe ofereciam inclinação por uma criatura que nada mais pode fazer senão sei- agradável!

(...)

Na segunda-feira, pela manhã, 21 de dezembro, Ele escreveu a Carlota a seguinte carta, que foi, depois da sua morte, encontrada fechada sobre o bureau e remetida à destinatária. Transcreve-la-ei aos fragmentos, como, ao que tudo indica, teria sido escrita:

E coisa resolvida, Carlota: quero morrer. Escrevo-lhe isto tranqüilamente, sem exaltação romanesca, na manhã do dia em que a verei pela ultima vez. Quando você ler esta carta, minha bem-amada, o túmulo frio cobrirá os restos enregelados do infeliz, de espírito inquieto, que não sabe de mais doce emprego a fazer dos ,seus últimos momentos de vida senão entrete-los com aquela a quem tanto amou. Passei uma noite terrível, mas também, ai de mim, uma noite benfazeja, que fortaleceu, fixou a minha resolução. Quero morrer!".

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