Samstag, 20. Januar 2018

Helena

Helena virou um gato preto
E me esperava na rua em que eu passava
Às onze da noite, quando voltava do trabalho
E comprava um sanduíche lá na padaria

Helena virou um gato preto
E na outra noite, tinha lá um cão
Quando passei, e de me altura
Me olhou nos olhos

Helena virou um gato, preto,
E seus olhos se repetiam, pelo beco vazio
Ela estava em mim, e também me via
E se escondia quando eu passava

Helena virou um gato preto,
Como aquele que outrora
A vi acocorar para alcançar à mão
Na encruzilhada da injustiça, onde ontem choramos

Helena virou um gato preto
E mal sabe de seus olhos
Mal sabe de mim

E a crueldade que de mim se apossou
Em momento sutil, como no conto de Poe
Não devia ter machucado aquele olhar

Helena virou um gato preto
E olhou para mim.

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