Helena virou um gato preto
E me esperava na rua em que eu passava
Às onze da noite, quando voltava do trabalho
E comprava um sanduíche lá na padaria
E me esperava na rua em que eu passava
Às onze da noite, quando voltava do trabalho
E comprava um sanduíche lá na padaria
Helena virou um gato preto
E na outra noite, tinha lá um cão
Quando passei, e de me altura
Me olhou nos olhos
E na outra noite, tinha lá um cão
Quando passei, e de me altura
Me olhou nos olhos
Helena virou um gato, preto,
E seus olhos se repetiam, pelo beco vazio
Ela estava em mim, e também me via
E se escondia quando eu passava
E seus olhos se repetiam, pelo beco vazio
Ela estava em mim, e também me via
E se escondia quando eu passava
Helena virou um gato preto,
Como aquele que outrora
A vi acocorar para alcançar à mão
Na encruzilhada da injustiça, onde ontem choramos
Como aquele que outrora
A vi acocorar para alcançar à mão
Na encruzilhada da injustiça, onde ontem choramos
Helena virou um gato preto
E mal sabe de seus olhos
Mal sabe de mim
E mal sabe de seus olhos
Mal sabe de mim
E a crueldade que de mim se apossou
Em momento sutil, como no conto de Poe
Não devia ter machucado aquele olhar
Em momento sutil, como no conto de Poe
Não devia ter machucado aquele olhar
Helena virou um gato preto
E olhou para mim.
E olhou para mim.
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