Existiu uma realidade alternativa em que depois do trabalho a gente saía andando pela calçada e conversando sobre literatura. E eu sabia que você não tinha uma índole boa - eu sabia que você ia querer me machucar nessa história. Mas eu seguia, pra me sentir vivo. E a gente ia tomar um litrão na esquina da procuradoria, de vestes talares e tudo. E a gente ia pro teu flat, e a gente passava o fim de semana conversando coisa profunda - daquela conversas que parecem uma caverna. E a gente ia parar na Augusta, depois em um barzinho em pinheiros, e ficava até 5h da manhã, quando os metrôs reabriam. E a gente transava até ninguém aguentar mais. E eu sabia que você ia me machucar.
E a gente passava duas semanas sem se olhar direito, e logo depois ia pro aeroporto e saía pra Aix-en-Provence, e passava lá duas semanas fingindo que nós não éramos nós. Muito Camus, muito concerto e muitas lágrimas só pela beleza do momento.
Depois tudo voltava ao normal. Você não me respondia mais. Gato escaldado, eu também não respondia você.
E essa foi a realidade que nunca aconteceu, e que se encerrou nas nossas conversas no metrô; nas suas histórias sobre a sua mãe; nas suas cantadas de época e no seu choque quando perguntou o que era aquela aliança no meu dedo. Eu sempre acho que você foi a maior desgraça que nunca aconteceu na minha vida. Obrigado por existir e por ter me permitido pensar tanto em nós dois.
E essa foi a realidade que nunca aconteceu, e que se encerrou nas nossas conversas no metrô; nas suas histórias sobre a sua mãe; nas suas cantadas de época e no seu choque quando perguntou o que era aquela aliança no meu dedo. Eu sempre acho que você foi a maior desgraça que nunca aconteceu na minha vida. Obrigado por existir e por ter me permitido pensar tanto em nós dois.
Keine Kommentare:
Kommentar veröffentlichen