Donnerstag, 4. November 2021

 Na minha cabeça sempre houve essa fase, quando eu lia Crepúsculo, ouvia o 4:13 Dream, e ficava imaginando nós dois deitados num campo verde. Pra mim, “Underneath the Stars” era a narração disso. Floating here, like this, with you. Underneath the stars aligned for 13 billion years, the view is beautiful, and ours alone tonight….

Nessa fase, e somente nela, você não tinha mais esse teu jeito infantil. Eu surtei e surtei até achar que você era uma pessoa madura e que me abraçaria no meio desse campo, que veria uma ventania levantar nossos lençóis e essa pessoa, bem como esse eu, nunca realmente existiram. Lá no fundo eu sempre achei que seria inevitável que eventualmente viessem a existir

Eu nem sei por onde você anda. Não sei quem você é. Você deu um gelo master em mim do qual pouca coisa sobrou. Inclusive eu acho que esses delírios da minha juventude já não se identificavam com aqueles da minha infância. Esses tinham uma cor azul escuro, da cor do céu noturno, bem estrelados.

Hoje eu voltei de muitos bares, sozinho. Passei por meio de um campo verde no caminho pra casa. Desejei que um Louis me fisgasse no meio do caminho; desejei sentir de novo aquela ânsia da juventude, de quando a gente acha que o mundo é espetacular e guarda pra nós todo tipo de coisa. Desejei estar deitado naquela grama com você, olhando pro céu, e fingindo que os últimos 10 anos da minha vida foram um sonho.

Na minha cabeça romântica nós existimos e nós fomos aquilo. Não os trocentos namorados feios e retardados que você teve; não as suas trocentas más escolhas; não o teu jeito absurdamente infantil; não tuas mensagens quase motivacionais/de Facebook que tu me manda do nada a cada 6-7 anos. Nós dois, sabe? Um continuação de quando assisti Crepúsculo contigo no cinema e chorei ouvindo “A Thousand Years” no final. Chorei em muitas cenas, porque eu tava do teu lado. Na minha cabeça foi tudo uma continuação de uma fase madura do que você representava pra mim.

Eu passei por mil lugares, sabe. Eu andei tanto que toda vez que paro pra olhar pra trás eu desato a chorar. Ninguém sabe o tato de buraco em que eu já me enfiei, as condições pelas quais eu passei, a quantidade de pessoas que deixei pra trás. Em todos esses lugares achei que teríamos vivido o paraíso. Em cada lugar maluco pensei nos teus olhos, e em como you could’ve been number one.

E eu sinto que minha vida secou, e eu sinto pouco gosto nas coisas desde então.

Eu desejo um hino pra esse período maduro do meu delírio – já que não posso chamar de “nosso amor”. Um hino, pra eu cantar sempre, e lembrar sempre, como o último momento de delírio da minha vida.

 

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