Na minha cabeça sempre houve essa fase, quando eu lia Crepúsculo, ouvia o 4:13 Dream, e ficava imaginando nós dois deitados num campo verde. Pra mim, “Underneath the Stars” era a narração disso. Floating here, like this, with you. Underneath the stars aligned for 13 billion years, the view is beautiful, and ours alone tonight….
Nessa fase, e somente nela,
você não tinha mais esse teu jeito infantil. Eu surtei e surtei até achar que
você era uma pessoa madura e que me abraçaria no meio desse campo, que veria
uma ventania levantar nossos lençóis e essa pessoa, bem como esse eu, nunca
realmente existiram. Lá no fundo eu sempre achei que seria inevitável que
eventualmente viessem a existir
Eu nem sei por onde você
anda. Não sei quem você é. Você deu um gelo master em mim do qual pouca coisa
sobrou. Inclusive eu acho que esses delírios da minha juventude já não se
identificavam com aqueles da minha infância. Esses tinham uma cor azul escuro,
da cor do céu noturno, bem estrelados.
Hoje eu voltei de muitos
bares, sozinho. Passei por meio de um campo verde no caminho pra casa. Desejei
que um Louis me fisgasse no meio do caminho; desejei sentir de novo aquela
ânsia da juventude, de quando a gente acha que o mundo é espetacular e guarda
pra nós todo tipo de coisa. Desejei estar deitado naquela grama com você,
olhando pro céu, e fingindo que os últimos 10 anos da minha vida foram um
sonho.
Na minha cabeça romântica
nós existimos e nós fomos aquilo. Não os trocentos namorados feios e retardados
que você teve; não as suas trocentas más escolhas; não o teu jeito absurdamente
infantil; não tuas mensagens quase motivacionais/de Facebook que tu me manda do
nada a cada 6-7 anos. Nós dois, sabe? Um continuação de quando assisti
Crepúsculo contigo no cinema e chorei ouvindo “A Thousand Years” no final.
Chorei em muitas cenas, porque eu tava do teu lado. Na minha cabeça foi tudo
uma continuação de uma fase madura do que você representava pra mim.
Eu passei por mil
lugares, sabe. Eu andei tanto que toda vez que paro pra olhar pra trás eu
desato a chorar. Ninguém sabe o tato de buraco em que eu já me enfiei, as
condições pelas quais eu passei, a quantidade de pessoas que deixei pra trás.
Em todos esses lugares achei que teríamos vivido o paraíso. Em cada lugar
maluco pensei nos teus olhos, e em como you could’ve been number one.
E eu sinto que minha vida
secou, e eu sinto pouco gosto nas coisas desde então.
Eu desejo um hino pra
esse período maduro do meu delírio – já que não posso chamar de “nosso amor”.
Um hino, pra eu cantar sempre, e lembrar sempre, como o último momento de
delírio da minha vida.
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