O mesmo fator que faz me considerarem passível de ser grande aos trinta é o fator que me corrói. O mesmo movimento que me jogou pra Brasília e me fez me destacar é a dor com que eu tenho que lidar todos os dias.
Por isso que não tem brio. Em nada disso. Não existe beleza no meu potencial. E por isso quando minha companheira me disse que se sentia intimidada pela minha trajetória eu disse "não fique, porque não é um caso de sucesso. É uma missão suicida".
Eu pensei que conseguiria alimentar isso até o fim da minha vida. Mas esse movimento começou a aniquilar até o meu gás pra trabalhar, e hoje eu me sinto desempenhando minhas funções de uma forma medíocre. Basicamente tentando sobreviver. A cobra deu o bote e me colocou num ciclo autodestrutivo; a única coisa que eu encontrei pra acomodar a minha vida hoje tá se dissipando.
Esse veneno que me corrói, que nasceu do sofrimento e gerou sofrimento e me faz continuadamente pensar sobre quanto tempo disso eu ainda vou ter que aguentar.
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