Montag, 25. Januar 2016

A dor e as trevas

Muitas vezes me preocupo sinceramente com a influência das minhas leituras sobre a minha personalidade e sobre minhas escolhas. Isso porque, sim, a expressão que elas dão aos meus sentimentos me faz sentir reconfortado. São a voz do meu silêncio, o grito do meu "ai" mudo.

Mas eu não posso desconsiderar o fato de que a forma de lidar com a dor e as trevas, essa forma propagada por esses textos, pode me empurrar pra uma vida de cada vez mais trevas e dor. Talvez não porque estejam ali, não autonomamente. O problema não são elas; o problema é sentir prazer nelas. O problema - até então "problema" - é me esconder no escuro por deleite, olhar sozinho pra parede, cortar a carne pelo sentimento,  me trancanfiar em isolamento.

O problema é ver beleza na dor e paz nas trevas. O problema é preferir sangrar. Talvez medo de ver a luz. Querer que o sol exploda. Sentir o frio nas maçãs do rosto. Ser arrebatado até as nuvens frias e olhar pros pontinhos lá em baixo.

A dor refugiu do antagonismo. Nas trevas eu fiz moradia. Aqui dentro é tudo escuro, e tudo ao contrário. Aqui dentro estou só eu.

E o problema - o problema - é se eu quero realmente evitar minha própria Tragödie.

Darkness

"I had a dream, which was not all a dream.

The bright sun was extinguish'd, and the stars

Did wander darkling in the eternal space,

Rayless, and pathless, and the icy earth

Swung blind and blackening in the moonless air;

Morn came and went—and came, and brought no day,

And men forgot their passions in the dread

Of this their desolation; and all hearts

Were chill'd into a selfish prayer for light:

And they did live by watchfires—and the thrones,

The palaces of crowned kings—the huts,

The habitations of all things which dwell,

Were burnt for beacons; cities were consum'd (...)".

(Byron).

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