Muitas vezes me preocupo sinceramente com a influência das minhas leituras sobre a minha personalidade e sobre minhas escolhas. Isso porque, sim, a expressão que elas dão aos meus sentimentos me faz sentir reconfortado. São a voz do meu silêncio, o grito do meu "ai" mudo.
Mas eu não posso desconsiderar o fato de que a forma de lidar com a dor e as trevas, essa forma propagada por esses textos, pode me empurrar pra uma vida de cada vez mais trevas e dor. Talvez não porque estejam ali, não autonomamente. O problema não são elas; o problema é sentir prazer nelas. O problema - até então "problema" - é me esconder no escuro por deleite, olhar sozinho pra parede, cortar a carne pelo sentimento, me trancanfiar em isolamento.
O problema é ver beleza na dor e paz nas trevas. O problema é preferir sangrar. Talvez medo de ver a luz. Querer que o sol exploda. Sentir o frio nas maçãs do rosto. Ser arrebatado até as nuvens frias e olhar pros pontinhos lá em baixo.
A dor refugiu do antagonismo. Nas trevas eu fiz moradia. Aqui dentro é tudo escuro, e tudo ao contrário. Aqui dentro estou só eu.
E o problema - o problema - é se eu quero realmente evitar minha própria Tragödie.
Darkness
"I had a dream, which was not all a dream.
The bright sun was extinguish'd, and the stars
Did wander darkling in the eternal space,
Rayless, and pathless, and the icy earth
Swung blind and blackening in the moonless air;
Morn came and went—and came, and brought no day,
And men forgot their passions in the dread
Of this their desolation; and all hearts
Were chill'd into a selfish prayer for light:
And they did live by watchfires—and the thrones,
The palaces of crowned kings—the huts,
The habitations of all things which dwell,
Were burnt for beacons; cities were consum'd (...)".
(Byron).
padeço de algo parecido
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AntwortenLöschene nao sei se to clicando em publicar ou excluir o comentario - pq ta em alemao
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