Donnerstag, 16. Juni 2016

O sähst du, voller Mondenschein, zum letztenmal auf meine Pein!

[16.6. 03:40] Orfeu: Eu fico triste com muitas coisas, não só com você. Minha vida é ficar triste com as coisas.

[16.6. 03:40] Eurídice: Mas não fique
[16.6. 03:40] Eurídice: Não por isso

[16.6. 03:40] Orfeu : Por isso também
[16.6. 03:40] Orfeu : Mas não só.
[16.6. 03:41] Orfeu : Excluindo tudo isso eu fico triste por mim, quando vejo que pra tua vida acontecer basta um estalar de dedos, enquanto a minha vida é esse quarto, esses livros, essa cadeira
[16.6. 03:42] Orfeu : E penso se não é disso parte da culpa dessa solidão.
[16.6. 03:43] Orfeu : O fato é que, se você me deixar, eu tô sozinho. Nem os meus amigos me são mais companhia.
[16.6. 03:44] Orfeu : Eu sozinho não sou, sem você. Hoje, eu sou essas paredes, esses livros, esse cabelo assanhado, essas madrugadas, uma atrás da outra.
[16.6. 03:45] Orfeu : Fico muito feliz pela sua felicidade, mas muito triste pela minha tristeza. Boa noite, durma bem.



Filosofia, Leis e Medicina,
Teologia, 'té, com pena o digo,
Tudo, tudo estudei com vivo empenho!
E eis-me aqui agora, pobre tolo,
Tão sábio como dantes! É verdade
Que sou mestre, doutor, e há já dez anos
Que discípulos levo, a meu talante,
À esquerda, à direita, ao sul ou norte,
Mas conheço que nada nós sabemos!
Rói-me o coração! Sinto-me acima
De mestres e padres e de escribas;
Não me assolam dúvidas nem escrúpulos,
Nem do demônio ou do inferno tenho medo -
Mas também nunca tenho hora alegre!
Nem chego a imaginar que haja ciência
Em que deveras creia, nem que saiba
Coisa alguma ensinar que aos homens sirva,
E convertê-los possa ou melhorá-los,
Também não possuo eu nem bens, nem ouro,
Nem grandezas ou glórias deste mundo:
Um cão não suportara uma tal vida
Por isso me entreguei todo à Magia,
Para ver se do espírito as potências
Alguns arcanos revelar-me podem (...)

Seja a vez derradeira, ó luz da lua,
Que olhas meu penar! Já nesta mesa
Tanta noite o velei! Sobre estes livros,
Sobre papéis, amiga melancólica,
Me aparecias então! Pudesse ao menos,
A tua cara luz, nos altos montes
Correr, ir com espíritos em torno
Das grutas e revoar das serranias,
Ao crepúsculo teu, vagar nos prados,
Da angústia do saber enfim liberto
Ir banhar-me sarado em teu rocio!

Horror! inda no cárcere encerrado?
Ó caverna maldita, tenebrosa,
Aonde a própria luz, do céu tão cara,
Por vidraças de cor penetra turva!
De livros por acervos estreitada,
Que roem vermes e a poeira alastra,
De afumados papéis 'té a alta abóbada
Toda coberta de redomas, vidros,
De instrumento pejada, acumulados
Aqui de avós os carcomidos móveis -
Teu mundo é isto?! Chama-se isto um mundo?!
E perguntas ainda porque ansioso
Teu coração no peito se confrange,
E oculto sofrer inexplicado
A energia vital em ti comprime?
Em lugar da vivente natureza
Em cujo seio Deus criou os homens,
Rodeiam-se entre a podridão e o fumo
Somente ossadas nuas e esqueletos.

Foge! Eia! Foge pela vasta terra!
E este livro de mistérios cheio,
Da própria mão de Nostradamos escrito,
Não te será bastante companhia?
O curso então entenderá dos astros,
E se mestra te for a natureza,
Sentirás elevar-se a força da alma
Vendo como os espíritos se falam.
Debalde daqui meditação estéril
Os sagrados sinais explicar tenta!
Que junto a mim voais conheço, espíritos:
Respondei pois, se vos é dado ouvir-me!

(GOETHE, J.W.. Fausto).

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