Por quê?
Meu coração insiste em vagar
Sobrevoar tantas terras escuras
Partir pelo teto, dançar no sereno
E segurar
Esse pobre infeliz acordado?
E por quê?
Tão louco, tão solto, inquieto
Por que sou tão rebelde? Só dor
Nos inflige nas sombras
Dos olhos fechados
Que eu deixo em você
É tão mau, tão triste, horrível
Ser feito incompatível
Pra sequer funcionar
Quando os sonhos e a alma colidem
Contra o céu e a terra e afligem
Essa carne fadada a andar
E por que, dentre olhos e ossos
Cartilaginosos
Há tal formação?
De um boneco que pensa que é alma
Mas nem a si salva
De ser vísceras, artérias e pressão?
E por que, na ilusão do que sou
Tua aura chegou
E prossigo a buscar?
Corpulento, ogro desastrado,
Me acho tão errado
Dentro do que sou.
Por que tão singular,
Dual e restrito,
Diante da infinita pluralidade do que eu sou?
Tão irrestrito
Tão livre
Tão madeira
Tão corrido
Tão amor
Tão dois
Tão três
Tão quatro...
Tão ela
E ela
E ela
Tão noite
Tão você
Tão ele
Tão nós
Mas elas
E elas e eles
Tão dor
Tão confusão
Tão incompatível
Tão
Tão
Tão
Tão tudo
E tão nada.
porém, tão!
AntwortenLöschenruim é quando