Eu fico imaginando o apocalipse. O céu abrindo, as miríades passando de cima pra baixo e de baixo pra cima. Aquele céu rachado, metade dia e metade noite. O arcanjo Miguel, do meu braço, descendo aos trovões e os justos abrigados nas nuvens, olhando tudo lá de cima, como numa pintura renascentista ou de Blake. A espada descendo com um som de dez caças aéreos. E no meio disso, se eu for um dos justos, vai haver uma nuvem, pequenininha, em que vou ver vocês me esperando, me estendendo a mão e depois me abraçando. Essa nuvem pequenininha é a nossa casa, e às vezes eu acho que vivo o paraíso todos os dias.
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