De amor
Pra que você só lesse quando entender o que é amor
Quando entender o que eu quero dizer
Porque nem eu sabia, meu amor, o que era amor, até conhecer você
E eu te repito exaustivamente na tua idade tenra
Que eu te amo, eu te amo e eu te amo
E você nunca vai lembrar de quando, pequena
Você me ouvia dizer isso nas nossas manhãs
E algumas lágrimas me escapavam dos olhos
E por mais que você não vá lembrar
Das nossas manhãs
Dos apartamentos em que a gente morou
Das nossas bananas com pasta de amendoim
Das suas danças em cima do sofá
De que eu decorei todos os episódios de Masha e o Urso
Eu amei você, por cada segundo, e eu nem tava pronto pra amar
Eu não era pai, eu era um moleque
E eu tinha muita coisa minha não resolvida
E talvez chegando nessa mesma idade você ainda não entenda o meu amor por você
Mas quando você chegou tudo mudou de forma
E nas vezes em que eu quase morri você e sua mãe eram a única coisa na minha cabeça
Eu não deixei de ser essa coisa escura, essa coisa melancólica
Mas você rompeu tudo isso
Assim como a sua mãe
Que me deu a vontade de viver, que você renovou, e de ainda estar com vocês quando você tiver condições de entender o quanto eu te amo.
Helena, eu te amo, eu te amo, eu te amo. E por mais que eu seja alguém sentimental, nenhum amor que eu tive na vida jamais se comparou ao que eu sinto por você.
E quem fala não é o seu pai. Você se engana quando se refere a mim como seu pai. Quem fala é Neto, um cara todo errado, incompleto e com defeitos que eu nunca vou omitir. Esse monstro desmantelado que eu sou, longe de um anjo, e longe de ser alguém maduro.
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