Sempre penso sobre como eu desproporcionalmente te amei. Desproporcionalmente ao quanto tu me amou, ao tempo em que a gente passou juntos e ao quanto eu tinha condições de amar.
Eu fico lembrando desse período e, em dias como hoje, consigo sentir tua pele na minha, sentir teu cheiro. Consigo sentir minha boca beijando tua bochecha e a tua testa. Consigo sentir até a oleosidade da tua pele, e quase consigo ver você corar na minha frente, numa quase esquizofrenia, quando eu me desligo completamente da realidade.
Eu não sei se um dia eu vou saber o que aconteceu entre a gente. Eu não sei se um dia vou saber se fui amado de verdade, e se você foi sincera comigo.
Eu sinto uma gratidão muito grande por te amar. Por ter te beijado, por ter transado com você, por ter te olhado nos olhos tantas vezes, por ter podido cuidar de você. Essa passagem breve pela minha vida evidenciou muitas coisas sobre mim mesmo, principalmente que, acima de tudo, eu queria amar.
Eu queria te enfiar na minha vida e cuidar de tu- Queria acompanhar teus devaneios. Ver teu rosto pensativo e acompanhar tuas soluções. Eu queria te ver batalhando pelo que tu quer, queria vivenciar teus dias alegres e tristes. Você pra mim era um fenômeno que eu nem sei dizer por que amei tanto. Ou amo. Eu não sei se vou conseguir me desvencilhar - pelo menos não tão cedo - do quanto eu te amo.
Vim escrever isso porque hoje foi um dia em que eu pensei em você. Em que eu desejei fingir que nada tivesse acontecido e que eu pudesse só voltar, e te pegar, e te levar pra comer uma pizza, ver um filme. Ver tua cara de impaciência.
Eu te amo. E eu acho que ou você não me ama ou eu absolutamente não entendendo ou não suporto teu jeito de amar. Prefiro pensar assim do que duvidar da tua sinceridade. Sempre tenho muita gratidão por pela tua passagem na minha vida.
Passagem que ficou, e que todo dia vem me visitar. De um jeito calmo, sabe. Na lembrança de sentir tua pele. De sentir meus lábios na tua bochecha e dar um cheirão no teu olho. De segurar teus cabelos e tua nuca. Ficou muito amor em mim, e muita vontade te dar amor. E que esse texto acabe assim. Não num desfecho bonito - uma comédia em sentido clássico - mas numa falta. Numa coisa incompleta.
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